Quarta-Feira, 02 de Março de 2011

Nosso Brasil brasileiro...


A cada dia que passa melhor compreendo a dificuldade que os estrangeiros tem em entender nosso país. São poucas as nações de tamanho como a nossa e algumas bem mais importantes. Mas há momentos em que muitos tem inveja do nosso modo de viver e, quando diferenciam, preferem falar em futebol e samba, o que não nos valoriza em nada. Todavia não devemos condená-los.

Ainda agora acabamos de viver duas circunstâncias contraditórias. Na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, a população foi contida pela polícia quando queria linchar políticos acusados de fraudar dinheiro na prefeitura e na Câmara Municipal. Poucos dias mais tarde, na vizinha Macapá, o povo recebeu em festa o governador do Amapá e o ex-governador, ambos acusados de corrupção e sob investigação da Polícia Federal comprovada em gravações por desvio de dinheiro público. Em nosso mesmo Brasil brasileiro, terra do samba e pandeiro mas igualmente de uma gente dada ao trabalho, chova ou faça sol, na capita ou interior, de dia e também de noite.

Eventualmente temos alguma dificuldade em nos compreender mesmo entre nós. Não esqueço que visitando Fortaleza, na praça do Ferreira pedi uma informação e o cidadão teve dificuldade em me entender como eu a ele. E quando me afastava ouvi um dizer ao outro, será que é alguém de fora? Mesmo idioma, sotaque diferente. O que, na verdade, me surpreendeu em Portugal, tal o problema encontrado na comunicação. Quando alguém falava depressa, não se entendia uma única palavra. O que é de menos. O mais importante é a praga da corrupção. Praga que não é doença nacional, contrariamente epidemia universal. Mais aqui, pouco menos ali, o que é de verdade é que não se encontrou ainda vacina eficiente para eliminar essa febre. Temos instituições que enfrentam o problema e o atenuam. Sabendo que há fiscalização já é fato positivo. Exterminá-la, no entando, desconhecemos a fórmula. Quem pode impedir de qualquer funcionário, geralmente mal pago, receber um bom dinheiro para oferecer certa facilidade? Quem?... Qual sistema? Quantos fiscais? Na realidade talvez um esquema perfeito custasse mais caro do que o prejuízo da corrupção. Triste realidade? Sim. Mas se o ser humano não é perfeito, como poderemos sonhar com uma sociedade perfeita. O que não significa que o Estado deva se entregar. Diferente. É preciso bater fundo para reduzir ao mínimo possível essa malígna doença.







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