Terça-Feira, 08 de Março de 2011

Apaixonada pela vida, assombrado pela morte


Curiosamente, tanto fascinado quanto repelido pela cidade de Praga, sonhando com a terra prometida e exilado em Berlim, noivo sedutor e hesitante, esportista talentoso, hipocondríaco, vegetariano lá nos fins dos anos oitocentos, judeu descrente e entusiasta da cultura ídiche e do impulso sionista, Franz Kafka, nascido em 1883 e falecido já em 1924 foi um intelectual misterioso para si próprio e para quem se preocupou em analisá-lo. A complexidade doseu viver e os mistérios do seu confuso pensamentofizeram com que os dicionários ganhassem novo vocábulo: kafkiano. Tão complicado quanto sábio. Ele se definia como apaixonada pelo vida, feliz com a rotina da sua cidade mas assombrado pela morte, enigmático com o adjetivo assombrado, seria um temor tamanho era seu amor pela vida ou pelo espectro que estaria perseguindo-o. Kafka sempre inteligente e sempre encoberto por uma neblina kafkiana. Kafka não colheu frutos do seu trabalho. Só depois de sua morte ganhou prestígio vendo seu nome ligado às inextricáveis confusões do mundo e às angústias do ser humano com a modernização da vida. Cria um novo estilo de parábola em que cada frase permite várias interpretações. Foram vários os estudos publicados analisando o conflito do escritor liberto e seu pai autoritário.

De Kafka passamos a Sófocles, com base notadamente em uma de suas peças mais aplaudidas: Antígona. Sófocles nasceu e morreu em Atenas (495-406 a.C) e é considerado um dos principais nomes da antiguidade clássica, produziiu mais de cem peças das quais somente sete chegaram até nós, entre elas Electra, Antígona, Ajax e Édipo Rei. Antígona, talvez de maior êxito, contém o contraste de convocar forças para derrubar o tirano quando cidadãos respeitáveis se calam? Indagação que tem resistido séculos. Sófocles põe em cena uma mulheer sem partidários, sem exército, sem nada, numa sociedade absolutamente masculinizada. O homem é terrível (deinós), no crime e na virtude, em altos pensamentos e atitudes intempestivas, na opressão e na luta pela liberdade. E Antígona morre. Morre na luta em defesa da liberdade, da dignidade e da vida. Sozinha Antígona abala a tirania.







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