Terça-Feira, 24 de Maio de 2011

Anônimo benfeitor


Repleta é a história de benfeitores, títulos conquistados em paz e na guerra, nas cidades e nos sertões, na terra e no mar.

Há benfeitores por acaso, aqueles que de repente se defrontam com alguém em situação de perigo e conseguem prestar-lhe socorro. Há os benfeitores profissionais, a exemplo dos médicos que trabalham diuturnamente para prolongar a vida de quantos sofrem desta ou daquela doença, deste ou daquele mal.

E existe uma gama menor de benfeitores que anonimamente fazem o bem, sem saber a quem e sem esperar qualquer compensação. Este anônimo benfeitor é, dentre eles, o mais legítimo. Aquele que crê ser dever natural fazer o bem sem esperar vantagem. Aquele que se sente feliz com a felicidade do próximo, que acredita que a sorte não é privilégio de um, dois ou mais, contrariamente a sorte é o raio de sol que brilha para todos, sem preferência de raça ou cor, de sucesso ou infortúnio, de herança ou berço, de ter nascidade na Idade Média ou na Idade Moderna, ou mesmo na Idade da Pedra. Todos de sangue, carne e osso e, notadamente, de cérebro para se conduzir e não ser conduzido.

Pois bem, acabamos de nos despedit de um anônimo benfeitor. Poucos o conheciam, mas os que o conheciam logo o amavam e nele reconheciam um homem de bem. Fazendo o bem no anonimato. Fazendo o que bem sabia fazer, brinquedos e tantas quinquilharias, não para vender ou ganhar dinheiro. Simplesmente para fazer doações. Nunca sabia para quem, seria para quem aparecesse, fosse ou não merecedor, pois para ele que era um bom não era possível acreditar que alguém fosse mau.

Estou falando de Anthero (Anteco) Florêncio Guimarães, ilustre descendente de Baltazar Carrasco dos Reis, capitão povoador da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Cidadão prestativo mas recolhido ao lar, feliz com o convívio familiar. Silencioso mas sempre atento, feliz quando solitário e mais sorridente quando recebia alguma visita para jogar conversa fora.

Artesão por paixão, fazia artre com pedaçoes de madeira com mãos hábeis que recebiam ordens de palavra ditadas por um coração amável.

Em poucas e mínimas palavras um benfeitor, não simples benfeitor, sim benfeitor convicto de que produzia sem almejar ganho, que trabalhava pela paixão ao labor como aqueles que inteligentemente sabem que o trabalho prolonga a existência e justifica o bom viver.

Anônimo benfeitor é assim que o céu recebe aqueles que espargem amor na Terra, abençoado e abençoando os seus, admirado até por desconhecidos que dele receberam anonimamente carinho e afeição. Anônimo benfeitor, sinônimo de Anthero Florêncio Guimarães.

Anthero Florêncio Guimarães subiu ao céu no dia 13 de abril, aos 97 anos, vitimado pela doença de Pick, deixando uma filha, Marly, e três netos, Marcia, Sandra e Daniel.







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