Quinta-Feira, 25 de Janeiro de 2007

Estado magriz


A idéia não é apenas boa... é excelente. Lamentavelmente, temo que possa ser impraticável.

Que idéia e de quem? Idéia de reduzir o número de cargos públicos eletivos. De quem? Do nosso senador Alvaro Dias.

Se algum economista com sobra de tempo se preocupasse em fazer um levantamento do preço que pagamos para sustentar as folhas de pagamento do Senado, da Câmara Federal e das Câmaras de Vereadores, seria capaz de despertar no mais convicto democrata alguma saudade do pior dos sistemas políticos: a ditadura. Não poucas vezes assustei-me com colegas elogiando Fidel Castro e seus felizmente não muitos colegas mandões que se espalham pelo mundo afora. Que os céus nos livrem deles.

Evidentemente que não seria necessário mudar de regime para adotar um Estado magriz, enxuto, sem essas dispensáveis gorduras que custam tanto ao erário.

Uma democracia fininha, menos complexa, ou seja, simples e barata.

Temos 81 senadores. Poderíamos ter menos. Por que não apenas um para cada estado? Creio que trabalhariam de igual forma, talvez até com mais eficiência e, melhor, dispensando um enorme número de caros assessores que sustentamos com boa remuneração na “ilha da fantasia”.

Temos 581 deputados federais. Uma quantidade que se atropela nos corredores a caminho do cafezinho ou ao encontro dos eleitores. Não poderíamos ter, com a maior boa vontade, cinco deputados por estado? Asseguro que o País não sentiria diferença alguma, a não ser uma significativa economia para os cofres públicos.

Talvez esteja sendo incrédulo, demasiadamente descrente, Ocorre que, sabendo que para chegar a um Estado magriz, dependemos do voto daqueles em quem nós votamos, é preciso acreditar em muito desprendimento e enorme devoção à causa pública, qualidades cada vez menos presentes na classe política, para atingir o almejado desiderato.

P.S. - Enfim, “c’est la vie”...



Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 25/janeiro/2007







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