Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2007

Norte maravilha


O título deste artigo é uma réplica aos meus amigos do Norte do Brasil. Por quê? Porque toda vez que eu lá chegava para proferir uma conferência a convite de colegas ou amigos, ao ser recebido e cumprimentá-los, quando eu dizia ser de Curitiba, a resposta invariavelmente era: “Ah, do Sul maravilha”. Sim, a idéia que os conterrâneos lá de cima têm de nós aqui de baixo é, precisamente, que somos uma classe privilegiada, sem problemas e com uma baita “dolce vita”.

Talvez esse juízo não esteja inteiramente incorreto, mas uma avaliação já posso fazer; o Norte brasileiro atualmente é bem diferente daquele que visitei anos atrás. Com ótima estrutura viária, com excelentes hotéis, quilômetros a frente daqueles em que me hospedei no passado, ou seja, é um Norte já visitado pelo progresso. É nosso Norte (Nordeste) bafejado pelo progresso e com aquelas praias e aquele clima que Deus lhe deu... sai de baixo!

Minha temporada foi em Natal (Rio Grande do Norte), ou seja, onde nosso solo tupiniquim se encerra e onde qualquer um pode enjoar de comer... camarão.

Um dos endereços é o “Camarões Potiguar”, assim com potiguar no singular, na Ponta Negra. Um “point” potiguar, onde você não consegue decidir o que é melhor, o camarão ao fondue, o camarão no jerimum, cabuci, alho poro, florentino, creme shitake, caicó, seridó, cajueiro (ah, visitamos o chamado maior cajueiro do mundo... será que há cajueiros em outras partes do mundo?). Quer mais? Sorvete de graviola, tapioca e jaca, carne de sol sertaneja, feijão macassa (que nós chamamos feijão de corda), farofa d’água, tapioca de côco e sei lá mais quantas delícias. Isso tudo ouvindo a voz alegre de Ivete Sangalo soprando que “Minha alma gêmea é você.” Quem, eu: “Se você é bom Deus te abençoa (a concordância é da letra); Se não é Deus te perdoa” e proclamando que “Minha fantasia é você”. Ouvíamos Ivete da agradável sacada do nosso apartamento (Hotel Blue Tree), com vista para a piscina e para o verde mar.

Confesso que não comemos de tudo, mas o cardápio era sempre farto: pastel de carne de sol, sanduíche de camarão, manteiga de garrafa, jambo, seriguela e nos restaurantes que pedimos não havia lagosta, mas fomos informados que seu preço mínimo é de 125 reais... que bom que não encontramos! Não fomos à praia do Cotovelo, nem na Pirangi do Norte e também não repousamos no Empório do Sono. Mas lemos em várias placas que lá “O governo é de todos” e “Trabalhamos pra valer”. Aliás, como em todo nosso querido torrão...

P.S. – “Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira”. Ronald Reagan.







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