Quinta-Feira, 28 de Outubro de 2010

Fronteira fechada: passaporte não vale


Acostumados a viver sob o céu da democracia começamos a estranhar algumas decisões tão logo dela tomamos conhecimento. Está acontecendo no Estado norte-americano da Flórida que vai oficialmente, ou seja por norma legal, aprovar medida no sentido de tornar mais difícil a imigração. O Arizona, na mesma terra do Tio Sam, já convive com regra similar. Flórida, porém, deseja uma legislação ainda mais rigorosa.
Como nos Estados Unidos toda lei tem que ser examinada e merecer a aprovação dos representantes do povo, ocorrem intensos debates, calorosos daqueles que chegam a proximidade aos tapas e tabefes.

E ao correr da polêmica apareceram sugestões múltiplas. A principiar por maior rigor no controle dos passaportes. Sabemos que são controlados em aeroportos internacionais. Com alguma pressa, pois ao contrário aeroportos não comportariam a multidão que seria acumulada rapidamente.

A criação de uma espécie de “passaporte universal”, reconhecido por todas as nações, ideia interessante mas talvez utópica e que voltaria a classificar as pessoas em classes, uma discriminação inaceitável.

Inaceitável no mundo atual, já usada e não com pouco rigor no passado e, o que é paradoxal, ainda presente em determinadas nações, notadamente nas comunistas, naquelas que se não convenceram até hoje que ninguém mais suporta viver sem liberdade.

É importante lembrar, para reconhecer que não estamos livres dessa maldição, as palavras recentes do Procurador Geral da Flórida, Bill McCollum – já não estou gostando dele – que declarou: “Essa legislação vai fornecer novas ferramentas para proteger nossos cidadãos a combater problemas atuais criados pela imigração ilegal”. Não compreendo como um cidadão com cabeça dominada por ideias desse gênero, chega ao cargo de Procurador Geral de um lugar tão agradável como a Flórida que, democraticamente, é o solo norte-americano que melhor acolhe e abriga gente de outros pontos, alguns bem distantes, da Terra.

Vale ressaltar que quando Arizona aprovou sua lei em julho, muitos se surpreenderam e o presidente Barack Obama fez pronunciamento contrário à medida e prometendo uma reforma nas leis.

Sabemos que a democracia dos Estados Unidos tem particularidades, dotando os Estados-membros de alguma independência.

A democracia, melhor regime político e social para a convivência pacífica em sociedade, ainda pode merecer alterações para determinado aperfeiçoamento. Tenho para mim, no entanto, que eventualmente é perigoso lançar esse delicado tema ao julgamento de um grupo de pessoas. Sempre aparece alguém tentando descobrir a pólvora ou se imaginando gênio inovador e esses momentos, numa assembleia legislativa, em que poucos são incumbidos de indicar caminhos que serão percorridos pela maioria, na esperança de inventar algo positivo conclui abrindo a porta para não poucos que ainda acreditam em regime ditatorial, déspota, cruel, tirânico e inaceitável, a exemplo do comunismo.

Não sei ao certo, creio que comunismo seria uma espécie de vida em comum, logicamente em acordo geral, sem oposição. Desculpem-me sem oposição não, jamais. Sem oposição é sistema de governo absoluto, tirânico, ditatorial, poder unipessoal felizmente sepultado no passado, se bem que não integralmente, aqui e acolá e, enquanto sobreviver continuará a espalhar malignas raízes...







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