Terça-Feira, 22 de Maio de 2007

Sombras no Palácio Iguaçu?


Acho que estou um pouco confuso, pois confesso que não entendi. E, vejam bem, eu sou do ramo. Nunca falei sobre isso porque creio que elogio em boca própria é crasso erro. Mas, como quer que seja, quando integrei (por longas décadas) o bravo Tribunal de Contas do Paraná, pela bondade e gentileza de colegas de outros estados fui convidado a fazer conferências em todas as nossas capitais (exceção da do Acre), recebendo imerecidos elogios e calorosas homenagens, culminando por merecer, não sei com que méritos, ser eleito presidente do Instituto Ruy Barbosa, entidade que cuida da pesquisa, história e outros assuntos dos Tribunais de Contas, cargo para o qual fui reeleito até ser expulso da função pública pela estranha aposentadoria compulsória adotada pela legislação nacional.

Mas o que fiquei sabendo - e se estou equivocado a culpa é do brilhante colega Fábio Campana - é que o nosso ilustre governo, que já conta com Ouvidoria Geral do Estado, acaba de instituir a Controladoria Interna do Poder Executivo. E poderia parar por aqui com aquela graciosa expressão dos irmãos portugueses... ora, pois, pois!

Mais um órgão para quê? Se não fez falta em tão longas décadas, por quais razões agora se tornou necessário?

Como o ditado diz que perguntar não ofende, vamos lá. Por que está sobrando dinheiro no tesouro? Por que as contas oficiais estão mal controladas? Por que o balanço não fecha? Por que o Tribunal de Contas não bem cumpre seu dever? No meu tempo, garanto, sempre cumpri e não tenho informação de que não continue sendo eficaz.

E, na verdade, não há nenhuma dificuldade em acompanhar os gastos governamentais, já que existe um orçamento e cada despesa deve corresponder a específica dotação. Fora dessa regra, impugnação e responsabilização do seu autor com punições previstas no mandamento legal.

Será que sua excelência já não confia nos auxiliares a quem entregou os chamados cargos de confiança da administração estadual?

Ou será que sombras do passado começam a surgir nos quadriláteros do palácio governamental?...



Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 22/maio/2007







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