Quarta-Feira, 23 de Maio de 2007

Tá na hora, tá na hora!


A notícia não poderia ser melhor... para o governo. Tanto é verdade que a própria nomenclatura foi alterada. Não se chama mais Receita, mas apropriadamente, Super-Receita. Por quê? Simplesmente porque a arrecadação do governo central está aumentando com uma velocidade duas vezes maior do que a projeção oficial.

A última amostra revelou que, de janeiro a abril deste ano, as receitas tecnicamente apelidadas de administrativas, aquelas que abrangem unicamente os impostos e contribuições, não computando as múltiplas taxas cobradas pelos órgãos governamentais, tiveram um acréscimo de 11,51%. E se o leitor estiver com a máquina na mão pode contar direitinho os zeros da arrecadação acumulada no ano: R$ 188,826 bilhões. Os especialistas da Receita diagnosticaram as causas: maior crescimento de alguns setores da indústria, valorização cambial, maior lucro das empresas e maior rigor no combate à sonegação nas operações imobiliárias.

Já que a notícia foi das melhores para o governo, está na hora, mais do que na hora de o governo oferecer também uma boa notícia para o povo, sofrido e cansado de pagar e pagar impostos e taxas sobre tudo o que consome sem sentir o gostinho de um pequeno, ou melhor dizendo, um justo retorno.

Evidentemente, não desconhecemos que em nações mais adiantadas o cidadão paga imposto mais elevado. Mas sabemos também de quanto recebe em troca: assistência médica, social e uma série de benefícios com os quais a gente brasileira jamais sonhou.

Vamos direto a uma questão crítica: custo de vida. O Brasil é atualmente o sexto colocado em consumo familiar, num grupo de dez países da América do Sul e notadamente o segundo mais caro para se viver. Para se ter uma idéia desse “ranking”, o país da América do Sul mais caro é o Chile, mas com excelente qualidade de vida. Em seguida nosso Brasil, seguido pelo Uruguai, Venezuela, Peru, Equador, Colômbia, Argentina, Paraguai e Bolívia. Em contraposição (tudo segundo pesquisa do Banco Mundial!) em consumo familiar o primeiro lugar é da Argentina, seguida do Chile, Uruguai, Venezuela, Peru e em seguida nosso Brasil, cujo consumo médio per capita é 9,5% abaixo da média de toda a região. Os preços que pagamos em nosso País são 14,2% mais caros do que o preço médio da América do Sul. Por quê? Por quê?...

P.S. - E por que também os salários não sobem igualmente?



Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 23/maio/2007







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