Quinta-Feira, 06 de Janeiro de 2011

Você sabia quem inventou o quê?


É natural, nós nos habituamos com a vida moderna e não lembramos nem imaginamos como ela chegou aos nossos dias. Numa noite de insônia fiquei algum tempo pensando como seria viver sem o elevador, sem o telefone, sem essa bendita máquina de escrever (ainda não me rendi ao computador e o julgo dispensável, já que esta aqui não depende de energia elétrica, não cai o sistema, etc.), sem os livros fáceis de encontrar e os discos (perdão, CDs), sem o rádio, a televisão e, para não alongar demasiadamente a lista, sem o automóvel e seus parentes.
Estou entre aqueles que acreditam que o automóvel foi a invenção que mais alterou a vida da humanidade. Hoje é curioso imaginar o que tenha sido a impressão das primeiras pessoas que viram circular um automóvel. Já atualmente eu chego a pensar que se um dia o mundo acabar deve ser sufocado pelo excesso de veículos...

A primeira pessoa a subir numa engenhoca movida a vapor foi um oficial de artilharia francês de nome Nicolas Cugnot no ano de 1769, quando o seu veículo de “três rodas” alcançou a velocidade de 4 quilômetros por hora numa rua de Paris, para espanto do público que mais se assustou quando ele foi de encontro a uma árvore. Nascia aí aquele que seria o primeiro de milhões e milhões de acidentes de trânsito. Nicolas voltou a tentar, novamente acidentou-se e acabou na prisão. Estranho: hoje raramente alguém vai preso por acidente de trânsito, tão comuns eles se tornaram.

E o avião? Essa é uma briga internacional sem conclusão. No dia 23 de outubro de 1906, após uma corrida de cem metros, o 14-Bis, uma engenhoca de bambu revestida de linho, 12 metros de envergadura e dez de comprimento, com hélice instalada na ré e motor da marca Antoinette de 50 cavalos levantou voo perante uma comissão do Aeroclube da França. O avião pesava 160 quilos, fez um voo de apenas 60 metros e despencou sobre os campos de Bagatelle em Paris. Talvez deslumbrados a comissão esqueceu de cronometrar o tempo do voo. E nosso patrício Alberto Santos Dumont foi obrigado a repetir o feito, o que ocorreu no dia 12 de novembro, quando ele voou 220 metros em 21 segundos a uma altura de 4 metros.

O nome 14-Bis se deve ao fato de que para testar seu equilíbrio, em julho de 1906, Santos Dumont o acoplara ao Balão nº14.

É curioso, mas quando leu, na juventude, “A volta ao mundo em 80 dias”, Santos Dumont teve seu primeiro sonho em voar. Em 1897 subiu pela primeira vez num balão em Paris. Empolgado logo encomendou seu próprio balão, ao qual deu o nome de Brasil. Aperfeiçoou pequeno motor a gasolina e instalou no balão em forma de charuto denominando-o SD-1. Em 18 de setembro de 1898 ele tentou subir com o balão contra o vento e chocou-se com uma árvore. Mas ele não desanimou, seguiram-se outros balões, sempre com inovações. O SD-5 explodiu ao bater em um telhado mas Dumont saiu ileso. Ele construiu na periferia de Paris, mais precisamente em St. Cloud, um galpão que pode ser considerado o primeiro hangar da história da aviação. Um parêntese: Santos Dumont abominava, não se sabe por que, as notas de 50 francos e o número oito.

Posteriormente construiu seu último avião que chamou de Demoiselle (Senhorita), o primeiro monoplano, oito vezes menor que o 14-Bis, pesando 120 quilos, piloto incluso, com o qual por algum tempo se divertiu pousando nos parques dos castelos e casas de campo...

A partir daí os aviões começaram a cruzar o céu, e hoje nos levam a qualquer ponto da terra. O que aliás torna mais feliz nossa vida.



P.S. – Qual será a próxima invenção a merecer nosso aplauso?...







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