Sexta-Feira, 20 de Agosto de 2010

Moacyr Lorusso, falso desmemoriado


Continuo lendo e lendo, muito mais do que escrevendo. Na verdade é mais fácil e mais gostoso. Sentimento quase similar ao prazer de ouvir música, outra paixão que não me abandona e me deixa mais feliz.
Ainda agora chego ao final de mais um livro de autor paranaense, mais que paranaense curitibano, mais que curitibano velho amigo, mais que amigo admirável colega de trabalho ao tempo em que me dediquei por longos anos aos difícil mister das batalhas jurídicas, com atuação numa área de minha predileção, Direito Penal.

Nessa nada fácil missão consegui livrar da prisão muitas pessoas, algumas delas depois de terrível e cansativo trabalho de defesa em nosso Tribunal do Júri, desde a época em que o mesmo funcionava em modestas instalações na Rua Marechal Floriano Peixoto.

E Moacyr Lorusso foi meu companheiro de estudo, pesquisa e mesmo de alguns embates no Tribunal do Júri. Mas, não consigo falar de Moacyr sem recordar uma passagem tão estranha quanto curiosa e mesmo ameaçadora. À época mantínhamos escritório jurídico no Edifício Ana Cristina, situado ali na nossa simpática Praça Osório, onde em determinada tarde uma senhora chegou e, antes de chegar a mim teria que passar pela sala do Moacyr. Ali chegando perguntou: “É aqui o escritório do doutor João Féder?” “É minha senhora, por que?” “Porque ele é o pai desta criança”. Moacyr, creio que assustado pois sabia quase tudo de minha vida, sei lá por que razão olhou desconfiado para a ilustre senhora e indagou: “O doutor João Féder, o nosso colega, gordinho e baixo?”. “Ele mesmo”. Foi o bastante para o Moacyr dar-lhe um corridão, botando-a porta afora e livrando-me de pelo menos um constrangimento. É bom ter colega e amigo que age com inteligência e, notadamente, com excepcional presença de espírito. Foi para não esquecer. Obrigado Moacyr, a quem faz tempo que não vejo mas tenho esperança de encontrar em breve.







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