Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2007

O nome dela é Rajaa Alsanea


Rajaa é uma jovem linda, beleza meio oriental meio ocidental capaz de disputar as primeiras posições em qualquer concurso internacional.
E no ano de 2005, Rajaa escreveu seu primeiro livro com o título “Vida dupla: Um romance sobre o Oriente Médio hoje”, no qual narra a história de quatro jovens muçulmanas da chamada alta classe média na Arábia Saudita que seriam normais no Ocidente, mas apontadas como corrompidas na sociedade islâmica a que pertencem.

O livro é baseado em histórias reais colhidas junto a colegas da universidade e alia ela fala de sexo antes do casamento, garotas que se travestem para dirigir carros e personagens regados à álcool, relevando a enorme distância entre a vida sob a lei islâmica e o comportamento ocidental.

A obra que recebeu crítica favorável da imprensa estrangeira está chegando ao nosso país numa edição da Nova Fronteira (tradução de Regina Lyra, com 256 páginas, ao preço d R$ 34,90). Falando a jornalistas, Rajaa declarou que as garotas pobres de Riad tem menos liberdade que as de classe alta, “mas acredito que a primeira preocupação delas é ganhar o pão de cada dia, antes de pensar na liberdade social. Nos países muçulmanos não temos ambiente para um diálogo frutífero. As diferentes facções defendem acirradamente suas posições e esperam que todas as sigam. Cartas odiosas e ameaças de morte que recebi em grande número, demonstram a falta de habilidade em conduzir qualquer diálogo. Não nascemos com essa capacidade e acredito em uma mudança somente através de um processo educacional. Creio que mudar é o signo da vida. Só os mortos não mudam. A sociedade saudita mudou nos últimos 50 anos em termos de infra-estrutura, telecomunicações e saúde, mas as regras e os valores permaneceram no passado. Vivemos um conflito entre a modernidade e os valores que queremos preservar e isso é uma questão que se reflete cada vez mais nas novas gerações. Os jovens estão tendo dificuldade em viver com seus avós. Creio, pois, que está na hora de rever as nossas tradições, sintonizando-as com a vida moderna, um desafio se levarmos em consideração a intenção de manter a identidade e o sabor da cultura saudita”.

P.S.- Certo quer Rajaa não me ouvirá, mas é chegado o momento de ela não olvidar que toda cultura sofre mutação com o correr do tempo. Há, portanto, luz no túnel para a Arábia Saudita...







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