Terça-Feira, 23 de Outubro de 2007

Karl Marx e a liberdade de imprensa


Karl Marx é mundialmente conhecido como o pai do comunismo. Esse comunismo ( em inglês comunism, em francês comunisme) é a ideologia política baseada no chamado Manifesto Comunista publicado no ano de 1847 por Karol Marx (e Engels), por eles desenvolvidos em obras posteriores e aplicada por Lênin e Stalin em acordo com o pensamento de cada um. Filosoficamente esses comunismo supõe que a personalidade humana depende da sociedade determinada a que pertence e nada é fora e independentemente dessa sociedade; a estrutura de uma sociedade depende das relações de produção e trabalho dessa própria sociedade, que determinam suas relações e manifestações de moralidade, religião e filosofia, bem como da sua organização política. Marx deu a essa doutrina o nome de materialismo histórico.

Pois esse paradoxal personagem que instituiu um regime opaco, no qual o Estado só permitia uma voz livre, ou seja, a sua própria, nos deixou um livro com o título de “Liberdade de Imprensa”.

A edição da minha modesta biblioteca é datada de 1999, mas a primeira edição nacional é de 1980. Karl Marx, como se sabe, nasceu em 1818 e viveu até 1883, vivendo pois menos de 70 anos. Mas de uma vez me surpreendi como figuras do passado vivendo tão pouco conseguiram inscrever seu nome na história.

Pois bem, onde eu pretendia chegar era precisamente na opinião desse pai do comunismo, que alguns chegaram a chamar de profeta do apocalipse, sobre a liberdade de imprensa. Ele nos diz: “O homem é imperfeito por natureza, como indivíduo e como massa”. “ De principis non est disputandum” (É impossível discutir sobre princípios). E qual seria a conseqüência desse fato? Que o raciocínio é imperfeito, que os governos são imperfeitos, que as assembléias são imperfeitas, que a liberdade de imprensa é imperfeita, que cada esfera da atividade humana é imperfeita.

Se, porém, cada uma dessas esferas não pudesse existir por causa da sua imperfeição, então nenhuma teria o direito de existir e toda a humanidade não teria direito de existir. De acordo com o princípio da imperfeição humana, todas as instituições humanas são imperfeitas.

Por que, sim porque somente a liberdade de imprensa deveria ser perfeita, diante de um mundo de imperfeições? E, afinal, por que um Estado imperfeito (e geralmente mal conduzido) teria direito de exigir uma imprensa perfeita?...

P.S.- Minha memória que sempre acuso de não ser das melhores, gravou que, durante um seminário do qual participei em Washington, D.C., um presidente de associação de jornalistas dos Estados Unidos proclamou: “A liberdade de imprensa é garantida pelo Estado para que ela possa denunciar à sociedade os desmandos praticas pelo governo que a própria sociedade elegeu”. Assino em baixo e ponto final. Se até Karl Marx está ao nosso lado...







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