Sexta-Feira, 28 de Março de 2008

Os gênios da música e seus destinos


Creio não existir dúvida quando seleciono como gênios da música os nomes de Mozart, Bellini, Schumann, Chopin, Beethoven, Paganini, Liszt e, ainda que por último citado, o meu preferido, Tchaikovsky, o incomparável Piotr (Pedro para nós) Ilyich Tchaikovsky.

Tchaikovsky, cuja obra que mais agrada meus ouvidos se chama “Capricho Italiano”, tinha nada a ver com a eterna Itália. O capricho ele denominou de italiano, mas ele era russo. Por certo um dos mais renomados da escola russa que nos legou gama excelente de páginas musicais. Tchaikovsky viajou bastante e viveu algum tempo em outros países e teve o privilégio de criar uma espécie de harmonia entre a temática russa e a temática internacional, criando um tipo de ligação entre a alma oriental e a civilização ocidental.

Tchaikovsky não nasceu em berço de ouro, mas o destino fez sua vida cruzar com madame Nadeshda Filaretovna Von Meck que não só se tornou sua admiradora, mas por igual uma fada protetora de todos os dias, sem, no entanto, um relacionamento mais profundo.

Ele estudou Direito e foi funcionário do Ministério da Justiça, mas as aulas de piano com o professor Nicolaus Rubinstein (fundador do Conservatório de Música de Moscou) fizeram-no um apaixonado pela música.

A vida de Tchaikovsky foi sempre complicada, envolta em desastres, acidentes e alguns mistérios. Foi a correspondência que manteve com Nadeshda Von Meck que mostrou-lhe novos horizontes e tornou sua vida menos triste. Mas o casamento não deu certo. Seguido de uma tumultuada separação levou o compositor a um colapso nervoso, seguido por tentativa de suicídio.

Tchaikovsky foi um músico romântico tardio, profundamente emocional que procurava expressar os seus sentimentos e mesmo o seu desespero, sua melancolia e mesmo sua revolta contra o destino que acredita persegui-lo.

Quando de sua morte a notícia informara suicídio, mas o dr. Lyov Bertenson, sumidade da clínica de S. Petersburgo em carta lamuriosa que dirigiu ao seu irmão (Modest Ilyich) escreveu: “Quero abraçá-lo e dizer como me toca profundamente a temível moléstia que nos arrebatou seu querido irmão e fez meu espírito unir-se ao dele, ao seu e aos quantos o estimavam. Não me posso recobrar depois da terrível tragédia que fui destinado a presenciar e não consigo descreve a angústia que me invade. Só lhe posso dizer uma coisa: sinto o que você está sentindo. Seu amigo fiel e dedicado, Lyov Bertenson”. Estima-se que a idéia de suicídio se deva a ocasião de seu matrimônio com Antonia Milinkoff, quando teria tentado se matar entrando nas águas geladas do rio Moskova com a intenção de apanhar uma pneumonia e por fim a vida, só se salvando porque era um homem muito forte. No atestado de sua morte a causa é ingestão de água não fervida no outono de 1893. Alguns escritores acreditam que na Sinfonia Patética ele havia anunciado o desejo de morrer.

A Patética foi levada ao público oito dias antes de sua morte. O público estranhou e a obra não foi muito aplaudida, embora não tenha sido considerada um fracasso. Afirma-se que a construção inusitada e fragmentária e sua forte carga emocional tenham causado perplexidade.

Certa noite Tchaikovsky sentiu-se mal e seu irmão lhe ofereceu o remédio de costume (óleo de rícino). Mais tarde saiu e logo voltou indisposto; seu irmão chamou o médico Vasily Bertenson, que ele recusou. Durante o almoço, não quis comer, levantou-se apanhou um copo, água da torneira e tomou. Seu irmão gritou: “Que loucura. Esta água não foi fervida. É novembro e você está em Petersburgo”. Ele simplesmente respondeu que não tinha medo de morrer (a ameaça era a cólera). Algumas noites após, sentindo-se mal, antecipou a hora de deitar e não mais levantou. Era a madrugada de 6 de novembro, ele tinha 53 anos. Seu corpo foi exposto à visitação pública, centenas de pessoas o beijaram e ninguém se contagiou. Quatro dias mais tarde foi sepultado no cemitério da Igreja de Alexander-Nevskaia.

P.S.- Quer ter uma idéia do gênio da música de Tchaikovsky? Ouça uma vez o “Capricho Italiano”...







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